quarta-feira, 18 de janeiro de 2012



[…]Mais uma vez a lamina amolada tocava o seu corto, mais uma vez ela via sangue escorrer pelo chão, mas pela primeira vez ela sentiu dor, pela primeira vez seu corpo gritava por socorro em silêncio[…]

Ela era só, andava sempre sozinha, nunca era notada, ela observava as pessoas de longe, ela sempre sentava no mesmo banco em frente a sua casa, até que um dia foi notada, até que um dia um menino de cabelos pretos sentou ao seu lado e disse:

- Boa noite, posso sentar com você? é que o céu ta tão lindo hoje, tão estrelado, acho que vendo sentado aqui nesse bando fica bem mais bonito.

Ela nem respondeu, só olhou e sorriu, nada saia da boca dela além de um sorriso, mas isso foi suficiente para 3 meses de amizade, agora ela era notada por alguém, agora ela achou alguém que se importava com ela, 3 meses de amizade foi o suficiente para ela se apaixonar completamente, agora sempre que o via sorria, era quase automático, um domingo a noite sentada no mesmo banco de sempre resolveu falar o que sentia, ele não a correspondeu, disse que só era apenas bons amigos, ela segurou as lágrima e fingiu está tudo bem, ao ir para casa deitou na cama e deixou todas as lágrimas rolarem pelo seu rosto e caírem no seu travesseiro, no dia seguinte o seus olhos estavam inchados de tanto chorar, isso se repediu durante uma semana, até que ela cansou, ela foi atrás de conforto, achou em uma lamina, então ao invés de chorar, ela corria para o banheiro e cortava os pulsos em silêncio, não saia mais de casa, agora era invisível novamente, um dia quando estava sozinha em casa a campainha tocou e ela foi abrir a porta, era ele, ele disse:

- Oi, senti sua falta, não vem mais lá em casa, não senta mais no banquinho, o que ouve com você?

- Nada, só estou cansada.

- Cansada de quê? fica em casa o dia todinho sem fazer nada.

- Estou cansada da vida, cansada de ser tratada como lixo, cansada de ser despresada por você, cansada de ilusões, cansada de ver você fingindo que se importa comigo, cansada de amar e não se correspondida.

- Eu me importo com você, por isso estou aqui, senti sua falta e eu te amo.

- Serio?

- Serio, amo como amigo.

- Não é suficiente.

Ela anda até a cozinha, pega uma faca amolada, segura com força e diz:

- Queria que me amasse, você mudou totalmente a minha vida, agora minha vida se resume a você, e o que sou para você? nada né? se é para viver sem você, por que viver?

Antes que ele pode-se dizer algo ela meteu a faca no seu pescoço e caiu no chão, tudo ficou mais escuro, mais uma vez a lamina amolada tocava o seu corto, mais uma vez ela via sangue escorrer pelo chão, mas pela primeira vez ela sentiu dor, pela primeira vez seu corpo gritava por socorro em silêncio, ele não sabia ao certo o que fazer, tirou a faca do pescoço dela e correu para ligar para a ambulância, ela apagou, ao abrir os olhos viu um teto branco, olhou para o lado e lá estava ele dormindo, a enfermeira disse “ele não saiu daí para nada, é seu namorado?”, ela sorriu do mesmo jeito que sorriu no primeiro dia em que se conheceram e apagou novamente, mas dessa vez, não abriu os olhos novamente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário